O local de intervenção para a Nova Residência de Estudantes do IPVC situa-se numa área de frente-mar, a noroeste do centro da cidade de Viana do Castelo, e procura fazer a continuidade do eixo de equipamentos de ensino que se situam ao longo da vertente norte da Avenida do Atlântico, consolidando a transição desse eixo para a marginal marítima, a aguardar o remate forte de que ainda carece. Trata-se de um local sensivelmente plano que tem a nascente e poente os dois elementos naturais mais marcantes do território: o monte de Santa Luzia e o Oceano Atlântico. A envolvente é pouco densa em termos de construção, tendo a norte alguns campos, a nascente uma malha mais regular de pequenos armazéns e habitações e a poente passeio público com zonas verdes e estruturas de apoio de baixa altura. A proposta aqui descrita alinha-se ao longo dessa via marginal, criando aí uma presença marcada sobre a rua, e 'protegendo' o interior do lote, reservado para zonas verdes e de atividades de lazer ao ar livre, dando primazia à relação do novo edifício com a Biblioteca e a Escola Superior de Tecnologia e Gestão.
Este novo edifício que vem servir o Instituto Politécnico de Viana do castelo visa então corresponder aos termos enunciados para a execução de uma Nova Residência de Estudantes do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. Como tal, no que respeita a arquitetura do edificado, tentou-se o melhor enquadramento possível, no sentido do conciliar espaços programáticos e envolvente. Os volumes dispostos, pese embora a sua envergadura, foram pensados por forma a subtrair essa mesma densidade, num corpo superior em balanço face à Rua da Guiné Bissau, tripartido por acessos de escada mais recuados e em vidro, que simultaneamente ajudam a desmaterializar a forma e a torná-la mais leve e concordante na escala.
Por uma questão de praticidade no uso do espaço público da Residência, quatro entradas de direções ortogonais foram desenvolvidos, de modo a melhor articular com o campus em volta e, uma vez que o programa abriga diversos "contentores" com uma relativa autonomia, tal como o espaço de fitness e de bar e cantina, ficam desta feita servidos por acessos mais próximos em comunicação com o exterior do campus, também ele com a sua estrutura de percursos cruzados. Tal como solicitado nos termos referência do concurso, as esplanadas afetas a estes locais ficam abrigadas dos ventos agrestes de norte por volumes salientes ou muros que os protegem. Junto à fachada noroeste, fica localizado um espelho de água, onde os utentes do espaço, para além de poderem livremente sentar-se em redor, se resguardam detrás do mural, podendo ainda servir como espaço auxiliar ao ginásio para o planeamento das atividades outdoor.
Em planta, Ginásio e Espaço do aluno ficam assim concentrados num bloco a norte/ este, zona técnica e centro de saúde a poente no alinhamento com a entrada principal, e espaços de Bar e Cantina projetados na sua frente a nascente, dotados de alguma permeabilidade transversal. Todos estes equipamentos estão entremeados por 10 caixas de escada, com patamares largos, de 1,65m de largura, equivalente a 3UP e 2 elevadores por cada acesso vertical, sendo que existe excecionalmente mais dois elevadores na ala norte referente aos quartos single, por se tratar de um n° de camas superior ao valor de referência (pelo que, em caso de incêndio, os utentes poderão ainda recorrer às escadas de emergência exteriores anexas ao ginásio e com acesso pelo corredor dos quartos). No centro do átrio, a par com os lanternins, que animam os espaços de circulação com a sua luz zenital (nas zonas em que a tão desejada transparência entre interior/exterior não é tão conseguida por questões de ordem prática), encontram-se demais espaços circulares reentrantes no pavimento, que permitirão sentar e sentir uma atmosfera de algum isolamento inusitado, e ainda um espaço de meditação, também ele redondo, mas fechado, com um grande óculo ao centro, para contemplação do céu e relaxamento.
A entrada principal, em face da rua da Guiné Bissau, dispõe de aparcamento coberto para as bicicletas e motas como contemplado no programa, e dá também para o estacionamento exterior com 100 lugares. Foi ainda incluído um lugar maior que possibilita o acesso a um veículo de cargas e descargas na contiguidade à zona técnica da Residência. Dado o desnível que se verifica topograficamente desde a zona da entrada principal até ao limite da área de intervenção, de sensivelmente 1,20m ao longo de cerca de 100m, optou-se por posicionar a Residência à cota superior, obrigando a vencer - se o desnível através de patamares rampeados, acoplados de uma rampa em dois lanços para pessoas com mobilidade condicionada, que alcançam a cota de 5,5m, de onde o segurança controla as entradas. Quatro portões à face da estrada, na continuidade do gradeamento existente, foram ainda previstos, de modo a dar acesso ao estacionamento exterior, escadaria da Residência, parqueamento coberto e zona de lazer do campus, nomeadamente.
Todos os espaços de entrada no edifício estão ainda abrigados pelo volume da habitação que o cobre, facilitando o acesso e permanência dos estudantes no interior e fronteira do conjunto edificado. Também a zona de cargas e descargas da denominada zona técnica fica provida desta mesma particularidade do projeto. No plano posterior, visto que o corpo superior se projeta para a frente de rua e recua relativamente ao volume inferior, recorreu-se a uma pala que dobra por cima deste mesmo volume, para a receção do camião de cargas e descargas ao espaço da cantina. Este espaço está ainda apetrechado com uma plataforma que lhe permite dar a volta e que é contíguo à arena destinada a eventos temporários, o que acaba sendo uma mais valia para esta última, quanto à montagem dos equipamentos afetos.
Já o considerável balanço que caracteriza o edifício a sul, reflete um apelo à simbiose entre construído e natureza, neste gesto de tentar chegar mais próximo do lago, e com isso criar uma entrada igualmente majestosa desse lado, uma vez que liga com os restantes elementos integrantes do IPVC. Dois arrojados pilares debruçam- se sobre a envolvente, apoiando a parte elevada, e as escadas estendem-se livremente sobre o prado, nesse encontro desafogado, complementado por uma ampla esplanada no enfiamento do percurso coberto de chegada à zona mais independente da cantina.
Nos dois pisos superiores de habitação, na procura de uma escala mais intimista, fazendo também jus ao local e com o propósito de saborear as espantosas vistas da Praia Norte, os quartos virados a poente são servidos por varandas. De igual forma se preveem, no pátio interior resultante da aglomeração dos quartos e estúdios em torno, varandas ao nível do piso 2 e longos e estreitos terraços no piso 1 que confrontam com um jardim interior, no remate da cobertura do piso térreo.
Dada a não obrigatoriedade da livre circulação a toda a extensão do volume, até porque não corrobora com o princípio de fragmentação das partes, permitiu-se apenas uma subtil ligação ao nível das escadas espelhadas, que lhe confere uma certa graça e retira algum constrangimento na utilização dos espaços. Para relativizar uma vez mais a escala do pátio resultante no interior, salvaguardadas as distâncias legais, um corpo contendo dois estúdios faz a ponte entre as duas frentes. Ao fundo, nesse eixo, deixou-se um espaço comum para usufruto dos estudantes durante horários porventura mais noturnos, sempre que haja pretexto ou vontade de comunhão. A questão da privacidade enquanto assunto sensível, tentou ser equilibrada da melhor forma possível, por isso, a cada dois quartos, as paredes avançam até ao limite da varanda. A nível de iluminação, foi solicitada uma luminária de montagem saliente de parede, por cima das mesinhas de cabeceira, logo selecionou-se do mercado o equipamento Enola_B WL, com eixo giratório gimbal (90°x350°) e interruptor para um acesso local, ideal para áreas de repouso em que é necessário um controlo integrado.
No centro deste módulo duplo, existe uma corete sobredimensionada que permitiu alguma flexibilidade na sobreposição da estrutura com a do rés do chão e no encaminhamento das tubagens para as paredes do piso 0, atravessando um teto falso de 60cm. Tanto os estúdios como os quartos (single e duplos) obedecem a uma compartimentação idêntica, havendo a preocupação com a contenção dos custos e a celeridade de obra.